Apresentação

Amazônia Azul: o Brasil que começa no mar

Imagine um país que olha para o horizonte e enxerga muito mais do que uma linha azul.

Com 7,4 mil quilômetros de costa, o Brasil não termina na areia. Ele avança mar adentro, exercendo jurisdição sobre 3,5 milhões de km² de espaço marítimo. E, desde 2004, ousa ir além: reivindica junto à ONU a ampliação de mais 2,1 milhões de km² de sua plataforma continental. Se reconhecida integralmente, essa extensão consolidará o Brasil como o 7º país com maior Zona Econômica Exclusiva do planeta — a imensa e estratégica Amazônia Azul.

Um oceano de valor estratégico

É nesse espaço marítimo que navegam navios comerciais que conectam o Brasil ao mundo. É ali que a pesca sustenta comunidades, o turismo movimenta economias, a energia renovável ganha força e recursos minerais despertam interesse estratégico. O oceano, para o Brasil, não é fronteira: é ativo econômico, científico e geopolítico.

O começo de uma visão de Estado

Foi com essa consciência que nasceu uma ideia fundamental: para proteger, explorar e gerir o mar, era preciso conhecê-lo.

Em 1969, logo após a Operação GEOMAR I — a primeira grande campanha de pesquisas marinhas apoiada pela Diretoria de Hidrografia e Navegação, com participação da Petrobras, do DNPM, da CPRM e de universidades — consolidou-se uma percepção clara: o país precisava estruturar um programa permanente de investigação da sua margem continental.

Foi nesse ano também que surgia oficialmente o Programa de Geologia e Geofísica Marinha (PGGM) e, o que começou como iniciativa estratégica, transformou-se em uma jornada de descobertas.

Da intenção à ação

Nas décadas seguintes, o PGGM transformou intenção em ação. Em 1978, com o conhecimento acumulado, aprovou-se um novo Manual de Execução, modernizando procedimentos e ampliando diretrizes para as Operações GEOMAR e para a divulgação científica. Até 1986, foram realizadas 24 operações GEOMAR, com os navios oceanográficos “Almirante Saldanha” e “Almirante Câmara” cruzando o Atlântico Sul. Paralelamente, as Operações GEOCOSTAS aprofundaram o conhecimento das áreas costeiras com resultados expressivos.

Quando o desafio exige permanência

Então veio um desafio.

A partir de 1986, o país deixou de contar com um navio dedicado às grandes campanhas oceânicas. As operações em águas profundas tornaram-se raras, dependentes de cooperação internacional. Parecia um retrocesso. Mas não foi. O foco voltou-se majoritariamente para as áreas costeiras.

Mesmo diante das limitações logísticas, o PGGM manteve-se ativo, resiliente e produtivo. A força do programa passou a residir, cada vez mais, em sua rede institucional.

Uma rede que sustenta o conhecimento

Assim, ao longo de 57 anos, o PGGM consolidou-se como a mais relevante rede de pesquisa em geologia e geofísica marinha do Brasil. Hoje, reúne 28 instituições acadêmicas e científicas, do Amapá ao Rio Grande do Sul, articuladas com órgãos estratégicos como a CIRM/SECIRM, o MCTI e o Serviço Geológico do Brasil.

Mais do que produzir dados, o PGGM passou a influenciar políticas públicas. Contribuiu para o entendimento da Margem Equatorial Brasileira e do Atlântico Sul em múltiplas dimensões: científica, estratégica, ambiental, econômica e formativa. Participa de comitês executivos ligados a programas como REMPLAC, PROAREA, PSRM, PEM, Economia Azul e GI-GERCO.

Conhecimento é soberania

Mas essa história não é apenas sobre mapas e números. No fundo, esta é a história de que soberania não se exerce apenas com presença — mas com conhecimento. E que, para ocupar o mar, é preciso antes desvendá-lo.

Navio Oceanográfico

Almirante Saldanha

O Navio Oceanográfico Almirante Saldanha (DHN – Marinha do Brasil) ilustra a logomarca oficial do PGGM em reconhecimento às inúmeras comissões oceanográficas realizadas por este no âmbito do PGGM e das ciências marinhas brasileiras.